domingo, 25 de setembro de 2011

Carne vale*


Sou um soldado sem pátria
que vive em trincheiras de agonia
armado de solidão e tristeza
chorando por amores que morreram um dia.
Sou um primata de tempos pré- fabricados
vivendo em cavernas de concretos
com multidões civilizadas que agem como animais
e me transformo num transmorfo transmutal.
Sou uma pedra qualquer de uma estrada
que é chutada por uma pessoa qualquer
transformo-me em uma grande esmeralda
e sou dado de presente para uma mulher.
Sou uma flor sem cheiro e nem cor
devorado por um animal campestre
viro então um estrume verde sem sabor
para servir de adubo para frutas silvestres.
Sou uma ave predadora na floresta
observando coelhos inocentes
para voar e pegar a presa que me resta
e comer sua carne vermelha indecente.
Sou um poeta que vive a escrever
tudo o que vê, faz e sente
sou um homem que sofreu e fez sofrer
sou um poeta conhecido indigente.
E tento apenas ser uma criança
que quer carinho, afeto e amor
sou inseguro por ter muita segurança
sou tão triste, porque no amor sou conservador

***POESIA CRIADA EM 1994

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