domingo, 23 de maio de 2010

Duvidas*


Talvez quando o sol nascer amanhã
eu tenha acordado dessa solidão sem fim.
Talvez se eu me tornar um ébrio
a vida tenha algum sentido.
Talvez isso seja um disparate
quem vai me garantir que não.
Talvez quando as minha lágrimas secarem
e minhas feridas cicatrizarem, eu me sinta melhor.
Um dia talvez quando a chuva molhar o meu rosto
e lavar a minha alma em uma só vez
eu consiga sorrir sem me arrepender.
Talvez eu seja um idiota escrevendo o que sinto
mas o que sinto não é nada idiota
e porque seria idiota, alguém que expõe
os seus sentimentos e ressentimentos.
Talvez idiota seja aquele que tem medo de chorar
são covardes, por não querer admitir um sentimento.
Talvez um dia alguém me entenda
e me ajude a desvendar os mistérios da paixão
e sonhe comigo num teto de estrelas
sob um colchão de flores da jasmim.
Talvez um dia eu pare de escrever
descanse a minha mão e de a ela um novo trabalho
talvez acariciar o rosto do meu amor
ou quem sabe usa-las em cartas de baralho.
Talvez um dia eu encontre as respostas
das minhas perguntas, num rosto de menina
que um dia talvez me chame de pai.
Talvez um dia eu perca as minhas duvidas.

**Poesia criada em 1986

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